Quem ouça falar na Etiópia associa imediatamente a imagens de crianças sub-nutridas e de carências aos mais diversos níveis. Gastronomia será, certamente, o último dos motivos que fará muita gente falar deste país do continente africano.
Afastando estas imagens do preconceito que se criou revelaram-me que havia um restaurante etiópio que valia a pena experimentar. O jantar no Axum finalmente concretizou-se. Quando me falaram deste pequeno restaurante foi salientado o seu ambiente simples e familiar, a forma de comer sem recurso a talheres e o seu aromático café.
Situado numa rua que quase passa despercebida, este lugar de sabor africano tem uma decoração étnica e quente que nos faz viajar através das fotos que forram as paredes de cor ocre. A cicerone acolheu-nos com um sorriso doce e apresentou-nos a ementa com as iguarias típicas. A nossa opção foi vegetariana. As bebidas faziam parte de um cardápio de fair trade market (que já começa a ser muito usual em Amesterdão), uma cerveja servida num copo feito de casca de côco e para mim o vinho da casa que, coincidência, era português e excelente!
Os pratos foram servidos numa base de crepe gigante com salada, lentilhas salteadas, vegetais cozidos e um crepe extra que servia de "talher". Dois pequenos tachos com um aroma intenso a fumegar foram colocados à nossa frente. As quantidades que não pareciam imensas não deixaram espaço para sobremesa. Também não experimentei o afamado café, preferi uma noite descansada a uma noite de insónia...
Quando nos preparávamos para sair, sob a promessa de voltar em breve, entrou um casal norte americano que, segundo nos disse Belaynesh, já visitavam Amesterdão há 15 anos e sempre que lá iam jantavam pelo menos uma vez no seu restaurante... É de voltar a este reino!
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