quinta-feira, 30 de julho de 2009

Fado

Por vezes a meio de conversas sobre politicas, direitos e justiças o D vira-se para mim e diz-me meio a medo e em tom de dúvida com certeza por trás " Portugal sofre um bocado de corrupção". Eu engulo em seco e respondo que é verdade. É daquelas feridas que nos dói no orgulho nacional, que nos custa lembrar que tanto acontece e tanto vai estando na ordem do dia como hoje. Fátima Felgueiras foi absolvida e o pior é que todos esperavam que assim fosse porque a justiça em Portugal simplesmente não funciona.
Em Portugal é mais fácil ir-se preso por se roubar um bolo para comer do que desfalcar um município e fugir para o Brasil. Ou isto muda ou as semelhanças com a criminalidade no Brasil vão ser mais reais do que meras coincidências. Não havemos de ser nós o país do fado....

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Com a minha bicicleta nova...

Voltei ao início da adolescência. Dou por mim a pedalar por aí e a cantarolar a música do "Verão Azul". Bendito o senhor que inventou as mudanças pois sem elas já tinha saltado da bicicleta em pleno andamento para me mentalizar para os declives mais acentuados. Mesmo assim já disse uma ou duas asneiras porque a minha ausência de exercício fez com que 2 ou 3 subidas me custassem horrores.
Ganhei uma admiração enorme por aqueles pais que pedalam a sua bicla (sem mudanças) com 5 crianças sentadas numa espécie de caixa à frente ou aquelas mães que levam uma criança à frente e outra atrás ao mesmo tempo que vão ao telemóvel e levam um saco de compras no guiador... Eu estou a anos de luz de fazer isso tudo. Tiro uma mão do guiador e é a loucura total. Sim, é a loucura porque se for durante mais de 15 segundos é certinho que vou chocar contra uma parede ou me vou atirar para o chão.... Vicissitudes!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ah que granda pinta

Parece mentira, mas só agora comprei a minha primeira "bicla". A minha primeira vez a tentar domar este bicho neste país não correu nada bem. A bicicleta era de homem (banco moldado ao género e uma trave metálica a separar-me dos pedais), não consegui ajustar o banco e os meus dedos quase não chegavam aos travões (e ó se eu tenho as mãos grandes). Resultado: uma pequena inclinação de 5º foi o suficiente para que eu perdesse o controlo e me jogasse para a montra do snack-bar em frente. Acho que por uma semana consegui ver a minha cara e mãos desenhadas no vidro.
Como tristezas não pagam dívidas e estou farta de gastar dinheiro em trams para o centro da cidade decidi-me por uma Gazelle em 2ª mão (menos apelativa a olhares do amigo do alheio). Se o tempo se aguentar bonzinho pego no meu gringo e vou de "bicla" explorar os arredores que continuam a ser paisagem para mim... Ah pois é!
Este post serve de aviso a todos aqueles que têm prática na condução de velocípedes não motorizados. A minha prática fica-se pelas bicicletas de ginásio e a a única que andava na rua comigo foi pra lá de 15 anos atrás. Muahahahahahahah!

terça-feira, 21 de julho de 2009

E se de repente um estranho lhe quiser tirar uma foto...

... isso são calças giras! E são mesmo mas são minhas.
Ontem, enquanto fazia as comprinhas para o jantar no supermercado do costume, reparo num casal a olhar fixamente para mim. Epá, eu sou gira mas não sou a Cindy Crawford. Não é caso para tanto!
Passados uns minutos vieram ter comigo e às primeiras palavras arranhadas a minha reacção meio surpreendida denunciaram-me com um "Excuse me?!"
Depois de meia gargalhada sem jeito lá me explicaram que tinham gostado muito do feitio das minhas calças, que tinham um negócio na área da moda e se eu não me importava de lhes dizer onde as tinha comprado.
Nestas alturas ficava bem eu dizer qualquer coisa como: "Trouxe dos Estados Unidos", ou comprei na marca XPTO", ou ainda "Mandei fazer", mas nada disso. Lá me saiu a resposta mais banal (que eles não esperavam) de que as tinha comprado onde o povo todo desta terra é capaz de comprar.
"Em que loja?" foi a pergunta lógica que se seguiu, mas para quem conhece a rua é como dizer-mos qualquer coisa como "A terceira árvore à esquerda no maior bosque das redondezas".
Bom, acabado o encontro imediato do terceiro grau pediram-me timidamente para tirar uma foto às ditas para poderem identificar e, quiçá, copiar o artigo para uma colecção Primavera/Verão 2010. Dei por mim em pleno supermercado a pousar para um telemóvel de um desconhecido com o D ao meu lado inchado de orgulho...
Querem ver que é desta que me torno num ícon da moda?!?! Ah!Ah!Ah!....

domingo, 19 de julho de 2009

Eventualidades de se viver por aqui

Independentemente de ser gaja e a minha mala parecer a famosa do Sport Billy, há pelo menos três objectos que têm de andar comigo por estes lados:
- Um casaco para a eventualidade de uma mudança brusca de temperatura. Durante o dia está uma temperatura amena (nas estações Primavera e Verão, pois claro!) e a partir das 17:30 esta desce a pique e não há quem aguente ventos glaciares.
- A sombrinha, não fosse esta terra parecer uma manta de patchwork em tons verdejantes. Pois que tão depressa não se vê uma nuvem no céu como de repente está tudo de um cinzento escuro que parece o dia do juízo final.
- Last but not least - umas peúgas. Sim, leram bem! É costume por aqui tirarmos os sapatos quando chegamos a casa de alguém. Uma das vezes fui apanhada desprevenida tinha uns belos buracos nos collants (na zona do dedão... Vai-se lá a saber porquê) e passei a noite a pisar poças de vinho. Resultado: saí de casa do pessoal com os pés molhados e com uma sensação horrível de desconforto.

sábado, 18 de julho de 2009

Sensibilidade e bom senso é que era...

A minha vizinha faz-me lembrar o Dr. Jekyll and Mr. Hyde. Não fosse eu conhecer a obra literária e acharia que ela tinha uma irmã gémea que de vez em quando aparece para nos importunar...
Quando está sóbria, o que corresponde a alguns (poucos) momentos que a encontro na escada, rua e no hall de casa, é uma gaja porreira, simpática (a querer ser divertida mas com um sentido de humor duvidoso) e adorável com animais. Repete-me 450 vezes, sem contexto preciso, que adora animais e que estes nunca a deixam ficar mal. Eu sorrio a este clichée. Concordo, mas acho que é daquelas coisas que estão implícitas em determinadas situações e não é preciso sermos "vulgares".
De todas as vezes que viajo é ela que toma conta do meu gato, tarefa que ela faz com esmero e dedicação. Entre miados e afagos consigo perceber que ele também gosta dela e da forma como ela o trata. Isto faz com que eu me sinta constantemente em dívida para com ela e, de forma a tentar mostrar a minha eterna gratidão, dou jantares e convido-a ou trago-lhe mimos.
No entanto, as vezes que tentamos socializar, acabam invariavelmente da mesma forma: ela completamente alcoolizada e os outros a tentarem desvalorizar a situação mudando de assunto ou a evitarem-na. Eu não consigo. Existe situação mais degradante que uma pessoa estar ao mais alto nível etílico a falar sózinha a um canto e a dizer uma mistela de palavrões em inglês e holandês? Para mim é como se tivesse apanhado um voo instantâneo para o Miguel Bombarda - Ala dos esquizofrénicos.
É por estas e por outras, que algumas das vezes que ela nos convida para alguma coisa "inadvertidamente" naquele dia a nossa agenda se encontra cheia... Ops! É que a minha paciência também tem limites.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Hein?!

Pergunto a uma amiga o que quer que lhe traga de Portugal nas férias esperando uma resposta do tipo: um galo de Barcelos, chouriços, bacalhau, vinho, pastéis de Belém, areia da praia ou até mesmo a típica resposta do bom tempo. Não, nada disso! Fiquei embasbacada a olhar para o telemóvel e a ler a resposta umas 5x. "Traz-me pêssegos"... Entrego-lhe o prémio pela originalidade da resposta.
Agora como é que se levam pêssegos dentro da mala sem que estes se esborrachem e passem a parecer pápa para bebé??? Ele há com cada uma....