A vivência noutro país faz com que estejamos constantemente a fazer comparações ao que anteriormente estavamos habituados. Chegará um ponto em que não me sentirei 100% confortável onde vivia nem 100% ajustada a esta realidade pois terei assimilado alguns novos costumes. Existem no entanto alguns a que não me quero habituar nem adquirir.
Durante este ano, mais propriamente quando o bom tempo começou a querer dar um ar de sua graça, os cafés e encontros passaram a ser em esplanadas, de forma a aproveitar o sol que teima em não aparecer com a devida frequência. Num desses encontros, acabadinho o meu capuccino estava eu deliciada com o sol e em amena cavaqueira quando a empregada do café vem ter connosco e nos diz o seguinte: "Tenho ali uns senhores que querem mesa e como vocês já não estão a consumir, agradecia que disponibilizassem a mesa para eles". Eu juro que por um curto minuto tive dúvidas em relação ao que estava a ouvir e quase me belisquei para acordar. Naquela hora que ali tinha estado a minha amiga tinha consumido: uma água tónica, um chá, dois cafés e uma sandes, mas pelos vistos não era o suficiente para garantir um lugar ao sol.
Decidimos pagar a conta e ir para outra esplanada com a convicção de que nunca mais ali voltariamos. Verdade se diga que até hoje já me aconteceu mais duas vezes e dou por mim saudosista a lembrar-me das vezes que me sentei numa esplanada à beira mar, em Portugal, apenas com uma bica, até o sol se pôr, sem alguma vez ter sido importunada com este tipo de argumento. Não é pois de espantar que os holandeses cheguem de Portugal maravilhados com a simpatia e prestatibilidade de todos. É que aqui isso é coisa rara de se encontrar...