quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Tristes verdades

Contava-me uma amiga que no espaço de 10 meses vai mudar de casa pela 4ª vez. Os primeiros motivos que me ocorreram foi: renda demasiado alta ou o facto de ter encontrado uma "oportunidade" irrecusável no mercado imobiliário. Pois que nem uma, nem outra! Contou-me que a casa é por demais barulhenta. O chão de madeira sem forro para isolar o som adicionado ao vizinho do lado fez com que ela tomasse esta decisão depois de se ter mudado para esta casa há cerca de 3 meses. Disse-me que o vizinho do lado gosta de ouvir música gótica entre as 2 e as 4 da manhã e no dia em que resolveu ir bater à sua porta e reclamar de tal vício foi confrontada com a resposta mais cara-de-pau que jamais ouvi: "Parece-me que tem de começar a apreciar música gótica". É mesmo de uma pessoa se virar para o gajo e dizer: "A mim parece-me que estás aqui estás a precisar de mudar de dentes da frente."
Quando confrontou o senhorio com este assunto este respondeu que nada poderia fazer a não ser mudá-la para o andar de cima ainda disponível. Assim, nos próximos dias ela passará para o tal andar onde não terá vizinhos a passearem-se pela casa em horas improprias e onde provavelmente continuará a ouvir a tal música gótica mas num volume diferente. Sad but true é mesmo caso para se dizer Welcome to Amsterdam a cidade em que todos acham que o seu umbigo é mais importante que o do vizinho.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Relax, take it eeeeeeeeeasy

Uma das características que mais aprecio nos holandeses é a descontracção. Aqui existe um constante estado de "Be cool Danone" que só nos faz ganhar anos de vida.
Se pelo meio da semana um dos dias é mais quente que o usual o mais natural é ver gente sentada à beira dos canais a beber uma taça de vinho, a ler um livro ou simplesmente a conversar com amigos; se optam por ir para a praia, independentemente da idade, oferecem-nos uma visão mais abrangente do corpo humano (não chega ao nudismo nos sitios onde vou). Na indumentária do dia-a-dia também não existe muito a preocupação de combinar cores e o cabelo, grande parte das vezes, tem ausência de escova. A vida vai-se levando sem preocupações pois já há impostos demais a pagar...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Vai um broodje?

Sempre me fez uma certa confusão o facto de aqui o almoço ser uma sanduiche. Na minha terra só se come um almoço assim quando se tem falta de tempo ou de fome. É certo que aqui não se dispõe de uma hora ou de hora e meia de almoço e não há a mesma fartura de restaurantes e snacks que há em Portugal para esta refeição, mas uma refeição quente sempre é mais reconfortante que uma papo seco com whatever lá dentro.
Uma das razões, para além das culturais, que leva esta gente a optar por algo mais light é que com uma refeição quente (e nas palavras deles - mais pesada) dificilmente conseguiriam combater o sono e ser produtivos durante a tarde. Com este argumento e tendo em mente alguns dos pratos típicos holandeses acho que fica em parte justificado. No entanto, na minha modesta opinião, não há nada como uma refeição quentinha nem que seja a sopa o prato rei. Tenho dito!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Biscuits with little mice

Um destes dias fiz uma visita aos mais recentes pais que conheço. Ainda a viverem num misto de descoberta e expectativa olhavam embevecidos para o seu rebento. Eu partilho do enamoramento deles. Não há coisa mais ternurenta que ver uma bebé serena e a agarrar-se com amor àqueles que tem por certos. É um quadro enternecedor.
Estava eu ainda meia dormente a ouvir a musica do cavalinho no carrocel e pergunta-me a jovem mãe se eu quero um Beschuit met muisjes. Hein?!?! Ah e tal é uma tostinha com aquelas bolinhas que se usam para enfeitar bolos! Com o meu ar mais ignorante lá disse um "pode ser" sem muita certeza. Eu que por acaso tinha saltado o almoço (por falta de tempo) ainda pensei que uma sandocha mista, uns rissoizinhos de camarão ou até umas tostas com paté de delícias é que vinham a calhar, mas tudo bem, mente aberta para esta coisa da cultura diferente e lá comi o beschuit que até era agradável.
Um dia depois da visita calhou em conversa com uma amiga mencionar o biscoito com as bolinhas ao que ela pergunta: "Comeste a tostinha com bolinhas cor-de-rosa?", "Sim. Como é que sabes?" disse eu. "É uma tradição holandesa oferecer os Beschuit met muisjes aos convidados aquando da visita ao bebé. Se for menina decoram com bolinhas cor-de-rosa, se for menino usam bolinhas azuis". E assim me senti mais inserida na cultura holandesa.

domingo, 16 de agosto de 2009

Beleza a quanto obrigas!

Fazer a depilação (a cera) aqui é um pequeno luxo. Julgo que o hábito de grande parte das holandesas é a utilização da gilette ou de cremes depilatórios. Com a penugem que têm eu entendo perfeitamente porque se abstraem de uma sessão de tortura e centros de beleza não são propriamente terreno próspero por aqui. Vá-se lá saber porquê.
Quando cheguei e palmilhava a cidade com um olhar mais direccionado aos Spa's e centros de estética, que em Portugal são como os cafés - existe um em cada esquina, dei de caras com algumas opções, mas... Uns têm ar de cabeleireiro africano, outros são geridos por chineses e mais vocacionados para o arranjo de unhas, ainda existem aqueles que são completamente destinados a mulheres da america latina e finalmente aparece um ou outro holandês que quase sempre tem empregados com cores e penteados estranhos que não inspiram muita confiança...
Quando finalmente desesperei por depilação profissional lá perguntei a uma amiga como é que ela se safava. Resultado: contacto na mão, profissional de primeira e ataque à carteira como se não houvesse amanhã...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Experiência: Olhó passarinho!

Na altura em que tirava fotografias para o bi/passe/cartão da escola, o fotógrafo pedia-me sempre um sorriso a meio gás. Qualquer coisa que não fosse um esgar de dor nem uma gargalhada sonora. Na salinha destinada ao efeito decorada com um cenário onírico saia-me uma coisa que apenas consigo definir como uma cara de parva. Há anos que não tiro fotografias destas e... ainda bem!
Um destes dias acompanhei o D a uma destas casinhas que tiram as ditas fotos. Esperava que o acontecimento de desenrolasse da mesma forma que conhecia, mas estava redondamnte errada. O presumivel fotógrafo pediu para ele se colocar num espaço exíguo atrás do funcionário e primeiro solicitou um sorriso tímido, depois uma cara séria (fotografias com destino - passaporte). A máquina fotográfica quase pousava na carequita do funcionário e todo este desenrolar se passava ao mesmo tempo que se atendiam pessoas para outros assuntos no mesmo espaço.
Três minutos depois e com 11,5 euros a menos estávamos a caminho do carro com as fotos do nosso lado. Isto é ou não é ser prático?!?!

domingo, 9 de agosto de 2009

E que tal umas luvitas?!?!

Se há coisa que não há muito por aqui são baixas por doença. Eu até acho que já sei porquê. Se a ASAE fosse uma entidade internacional chegaria aqui e levaria as mãos à cabeça pela quantidade de trabalho. É que cuidados a nível de higiene e segurança alimentar é coisa pouco conhecida por estas paragens.
Já me aconteceu um sem número de vezes ir a casas de sandes, pedir uma mista (por exemplo) e ver o processo de elaboração da dita quase atónita. Eu passo a explicar a feitura da sandocha, sublinhando desde já que as diferentes fases decorrem sem o auxílio de luvas ou de pausas para lavagem de mãos: a moça pega no pão e corta-o ao meio, espalma as metades, agarra no queijo e coloca-o numa metade, agarra no fiambre e coloca sobre o queijo, fecha a sandes e entrega-la ao cliente, aceita o dinheiro, faz o troco.... Se houver um cliente à espera o processo é idêntico!
É ou não é uma sandes reforçada? Pelo menos dá luta ao sistema imunitário. Temos de ver o lado positivo da coisa!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Como diria a Olívia Palito: My heroe...

Em frente da minha casa há uma loja de flores. O dono dessa loja, um senhor à beira dos 50 anos, é o holandês que mais admiro até à data. Abre a loja muitas vezes antes das 8:00 e fecha quase sempre depois das 18:00, sem parar um minuto que seja. Todos os dias já perto da hora de fechar, a clientela faz fila para comprar bouquets e flores de adorno caseiro.
No Inverno, por causa da instabilidade do clima, retira e volta a repôr as flores na rua vezes sem conta, umas vezes sózinho, outras com a ajuda da esposa. Mas das vezes que o faz vejo sempre um cliente a aguardar calmamente pelo seu auxílio dentro da loja.
Neste momento a loja está fechada para férias mas já o vi a regar as plantas de porta aberta, não fosse algum cliente comprar alguma coisa. Sem medo de trabalhar... Assim é que é!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sem comentários

Ao passear pelas ruas e observar as montras das lojas que se encontram fechadas fiquei especada a olhar para uma e depois para outra, sempre pela mesma razão. Por trás da porta da loja aos olhos de todos está a gaveta vazia da caixa registadora. Uma imagem como que a dizer: "Nem vale a pena tentarem roubar"... Palavras para quê?!?!

domingo, 2 de agosto de 2009

Gay Pride Parade

Eis que chega o fim de semana mais rainbow do ano. Algures no meu imaginário havia a ideia de que estes dias eram quase eróticos, com muita napa, muito chicote e corpos lambuzados de óleo mas depressa cheguei à conclusão que andei a ver demasiadas vezes o Carnaval do Brasil na televisão. À minha frente em pleno Prinsengracht/Amstel river desfilavam bracos cheios de gente alegre (e bastante vestida) a dançar coreografias treinadas em grupo.
Estava um calor pouco usual para esta cidade e os holandeses à minha volta vinham preparados para passar umas boas 2/3 horas sem se mexer muito. No saco do AH traziam pão, fiambre e o vinho branco ou rosé. Eu olhava para eles com um ar desconsolado e rezava para que os barcos acelerassem.
Depois de 80 barcos e mais alguns para tirar a dúvida se o cortejo teria acabado tive a sensação que tivera em trabalhos forçados parte da tarde. Os músculos do pescoço e as pernas estavam doridos e a garganta completamente seca.
Ignorei o resto dos festejos e fui comer umas tapas ao sítio mais turístico da cidade. Resultado: facada na carteira e estômago meio cheio. Aprendi a lição...