sábado, 18 de julho de 2009

Sensibilidade e bom senso é que era...

A minha vizinha faz-me lembrar o Dr. Jekyll and Mr. Hyde. Não fosse eu conhecer a obra literária e acharia que ela tinha uma irmã gémea que de vez em quando aparece para nos importunar...
Quando está sóbria, o que corresponde a alguns (poucos) momentos que a encontro na escada, rua e no hall de casa, é uma gaja porreira, simpática (a querer ser divertida mas com um sentido de humor duvidoso) e adorável com animais. Repete-me 450 vezes, sem contexto preciso, que adora animais e que estes nunca a deixam ficar mal. Eu sorrio a este clichée. Concordo, mas acho que é daquelas coisas que estão implícitas em determinadas situações e não é preciso sermos "vulgares".
De todas as vezes que viajo é ela que toma conta do meu gato, tarefa que ela faz com esmero e dedicação. Entre miados e afagos consigo perceber que ele também gosta dela e da forma como ela o trata. Isto faz com que eu me sinta constantemente em dívida para com ela e, de forma a tentar mostrar a minha eterna gratidão, dou jantares e convido-a ou trago-lhe mimos.
No entanto, as vezes que tentamos socializar, acabam invariavelmente da mesma forma: ela completamente alcoolizada e os outros a tentarem desvalorizar a situação mudando de assunto ou a evitarem-na. Eu não consigo. Existe situação mais degradante que uma pessoa estar ao mais alto nível etílico a falar sózinha a um canto e a dizer uma mistela de palavrões em inglês e holandês? Para mim é como se tivesse apanhado um voo instantâneo para o Miguel Bombarda - Ala dos esquizofrénicos.
É por estas e por outras, que algumas das vezes que ela nos convida para alguma coisa "inadvertidamente" naquele dia a nossa agenda se encontra cheia... Ops! É que a minha paciência também tem limites.

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