É incrivel como a cultura define hábitos. Não são raras as vezes que dou por mim a olhar incrédula para o almoço dos meus colegas e a pensar se isto estivesse a acontecer em Portugal qual seria a reacção dos demais. Tenho colegas que todos os dias comem: pão barrado com manteiga/manteiga de amendoim/queijo creme e pepitas de chocolate (ou banana/morangos/ovo cozido) acompanhado por um copo de leite. Desde quando isto é uma refeição? Isto é uma experiência culinária falhada. Pior é que também dão isto a comer aos putos... Depois quando lhes digo o que se almoça por terras lusitanas veem-me com a conversa de que seria impossível trabalhar da parte da tarde pois com tanta comida pesada certamente teriam sono. Mas qual sono? Por isso é que tomamos a bica (essa maravilhosa fonte de energia) que remata o repasto.
Aqui tem-se tanta consideração pelo almoço que só se gasta o tempo suficiente para comer e voltar para a secretária: 30 minutos. Em Portugal muitas vezes esse é o tempo que a refeição leva a chegar à nossa frente, mas no entretanto já se está na amena cavaqueira com os colegas porque mais do que comer o almoço serve para socializar.
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